mapped waters are quieter than land


︎1. Objecto

"os mapas, apesar das suas limitações, possuem o poder de convocar uma forte reacção humana, apelando irresistivelmente à memória, à criatividade e aos sonhos e conectando-se intimamente com a mente e vidas das pessoas. Muito do fascínio por mapas reside no facto dos mesmos serem simultaneamente apuramentos da experiência e convites à experimentação. Os mapas modernos parecem tão precisos e científicos que se torna difícil lembrar que (a menos que sejam totalmente gerados a partir de fotografias aéreas e dados satélite) eles são resultados das observações e experiências em campo de investigadores e geólogos, ao invés de produções anónimas de computadores e dispositivos. Neste sentido, os mapas permanecem enquanto segmentos das autobiografias profissionais dos seus criadores e, inevitavelmente, das suas autobiografias pessoais."


2. Solastalgia

"Embora o mapa moderno seja uma maravilha da comunicação geográfica eficiente, noutras perspectivas importantes, ele não nos diz muita coisa. (…) O mapa diz-me onde estão determinadas colinas, mas sou eu que retenho nas minhas pernas a memória física de como é uma criança escalá-las. Ele diz-me onde estão certos edifícios, mas eu sei como eles são por dentro e por fora — não da mesma forma que uma fotografia congela uma imagem, mas como eles são em diferentes momentos do dia e do ano. (…) Vejo o rio onde nadava, os bosques que explorava, os nomes que pareceram tanto parte da minha natureza como meus."


Excertos de Mapping the Invisible Landscape: Folklore, Writing, and the Sense of Place de Kent C. Ryden, onde o autor escreve sobre o poema The Map de Elizabeth Bishop.
Tradução da artista.
 

︎mar-jun 2020